Olá a todos que nunca lerão esse humilde espaço virtual, hoje é um dia atípico, distinto de todos os outros já existentes até este instante.
Nesse momento me tornei uma pessoa diferente, há algumas horas fui às compras e adquiri um lápis. Mas por que um lápis, se poderia eu adquirir um par de meias - o conforto dos pés é muito importante - , talvez meia dúzia de ovos - acompanhando um prato de arroz e feijão é algo bom, "suculento" - , ou quem sabe um CD do Justin Bieber - plagiando Romário, Bieber calado é poeta - , por quê?
Ora, não foi um simples lápis que comprei, antes de executar tal ação, analisei minuciosamente o produto pelo qual havia me interessado. Poucos minutos depois já estava certo de que me tornaria mais feliz possuindo aquele lindo objeto, sua forma cilíndrica pelo corpo e cônica na extremidade raras vezes havia sido vista mundo afora. Não bastasse isso, informações prateadas brilhavam ao longo de sua negra e sombria capa protetora, e duas delas diziam: "Ecolápis" e "Nº2". Isso me deixou atônito, ele não era apenas um lápis, mas sim um Ecolápis. Hoje em dia, nesse turbilhão de mudanças chamado mundo, o prefixo "eco" deixa tudo mais belo. E esse "Nº2"? Dado importantíssimo, transmitiu a mim a informação de que ele não desiste fácil, segue sua luta para alcançar a primeira posição, ultrapassa barreiras diariamente galgando o sucesso. Em dias pouco inspirados, talvez ele escreva por mim, quando o cadeado da alma emperrar, os calos já existentes nesse batalhador e negro cone cilíndrico serão os primeiros a abrí-lo.
O tempo continua passando, há momentos era eu mais uma pessoa, agora continuo sendo mais uma pessoa, com um lápis.
Um blog que oferece, de forma simples, alternativas fontes de conhecimento e inspiração capazes de revolucionar a frivolidade mundana. De certa forma, pode ser considerada uma tentativa de fuga à pobreza de conteúdo veiculada nos atuais meios de comunicação.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Cinema - Fernando Meirelles
Fernando Meirelles é um cineasta, roteirista e produtor brasileiro.
Nascido em São Paulo em 11/09/1955, durante a infância viajou com alguma frequencia para a Ásia e América do Norte, acompanhando seu pai, médico gastroenterologista e, dessa forma, teve contato com diferentes costumes e culturas. Seu primeiro contato com o que viria a ser sua profissão foi aos 12 anos quando foi presenteado com uma câmera de filmar.
Graduado na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) fez um filme como trabalho de graduação, diferindo assim dos projetos tradicionais da época. Recebeu nota mínima para graduar-se.
Iniciou seu trabalho com filmes experimentais ao lado de quatro amigos, Paulo Morelli, Marcelo Machado, Dário Vizeu e Beto Salatini, com dos quais fundou a produtora independente Olhar Eletrônico. Três novos amigos passaram a fazer parte do grupo, Renato Barbiere, Agilson Araújo e Marcelo Tas e, em 1982, a produtora criou alguns programas de televisão, como a série infantil Rá-Tim-Bum.
Ao final da década de 1980, passou a interessar-se cada vez mais pelo mercado publicitário, ele e seus amigos fecharam a produtora e abriram uma empresa de propaganda, a O2 Filmes. Em pouco tempo tornou-se um dos publicitários mais requisitados na cena nacional.
Em 1997, após ler o livro Cidade de Deus, de Paulo Lins, resolveu adaptá-lo para o cinema, concluindo seu trabalho em 2002. Com esse projeto, ganhou notoriedade internacional, quatro indicações ao Oscar (Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia) e duas indicações de Melhor Filme Estrangeiro, ao BAFTA e ao Independent Spirit Awards.
Em 2005, filmou pela primeira um longa-metragem em língua inglesa, O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener). Em 2006 recebeu quatro nominações ao Globo de Ouro (Melhor Diretor, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Montagem).
Em 2008, filmou Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness), adaptação do romance homônimo de José Saramago e filme de abertura do Festival de Cannes de 2008.
Filmografia:
- 2008 - Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness)
- 2005 - O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener)
- 2002 - Cidade de Deus (Cidade de Deus)
- 2001 - Domésticas - O Filme (Domésticas - O Filme)
- 2001 - Palace II (curta-metragem)
- 1998 - Menino Maluquinho 2 - A Aventura (Menino Maluquinho 2 - A Aventura)
- 1998 - E no meio passa um trem (curta-metragem)
- 1983 - Garotos do subúrbio (curta-metragem)
- 1983 - Brasília (curta-metragem)
A seguir, o trailer do filme que o tornou conhecido mundialmente:
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Rosas
A jovem rosa azul triste vivia em sua longa jornada,
Enrugada, com folhas cansadas, observava todos a seu redor.
Havia a rosa vermelha,
Jovem e exuberante,
Caule robusto e pétalas instigantes,
Mas cujos anseios a isso se limitavam – pensava ela.
Também havia a rosa cinza,
De feia aparência e pouco vistosa,
Sorria muito e era querida por todos,
Mas eram falsos sorrisos, sem alegria – pensava ela.
Eu sou verdadeiramente feliz – dizia a rosa azul – dedico meu tempo às verdadeiras razões da
vida, coisa que elas não fazem.
A jovem rosa azul,
Desapegada, com folhas lisas enrugadas,
Observava-se, e a todos ao seu redor.
A esbelta rosa vermelha,
Transpirava confiança.
A risonha rosa cinza,
Suspirava esperança.
- Iluminada rosa azul – dizia a voz que ecoava no ar.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Sugestões do dia
Mais algumas fontes de inspiração para almas aflitas:
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Literatura - Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade (31/10/1902 – 17/08/1987) foi um dos mais importantes poetas da literatura brasileira.
Nascido em Itabira, Minas Gerais, leva a saudade da infância e da cidade natal por toda a vida, permeando com elas grande parte de sua obra. Deixa a cidade para trás para estudar em Friburgo e Belo Horizonte e, atendendo a insistência familiar em obter um diploma de graduação, forma-se em Farmácia.
Em 1930, publica sua primeira obra poética, “Alguma Poesia”, marco da segunda fase do modernismo, demonstra grande amadurecimento e inicia a conquista da aceitação dos leitores. No mesmo ano, seu poema Sentimental é declamado na conferência “Poesia Moderníssima do Brasil”, feita na Faculdade de Letras de Coimbra.
O poeta falava também sobre temas como as preocupações sócio-políticas da época e do desajustamento do indivíduo, como em “A Rosa do Povo”, de 1945. Mesmo escrevendo sobre temas difíceis e delicados, conseguia encontrar leveza para manter sua escrita com humor e uma sóbria ironia.
Produzindo até o momento de sua morte, em 1987, Carlos Drummond de Andrade deixou uma vasta obra. Com mais de 80 anos, considerava-se um “sobrevivente”, como destaca no poema “Declaração de Juízo”. Além de poesia, produziu também livros infantis, contos e crônicas.
A seguir, reportagem da Globo News sobre o poeta:
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Dia-a-dia
Era um dia como outro qualquer. Carlos acordou as 5:30 para estudar Cálculo IV, matéria cuja prova fez horas depois, das 8:00 as 12:00. Em seguida almoçou, arrumou suas coisas e pegou estrada. Foram quatro horas de viagem de Sorolândia a Basqtown na companhia de Lazarinho e Ferreira.
Carlos e Ferreira então chegaram a casa. Nesse momento, Ferreira iniciou um diálogo:
- Carlos, você deve estar com fome, vou fazer algumas compras.
- Não, não estou. Acho que só vou comer amanhã agora.
- Eu tinha imaginado. Vou fazer compras e já volto com comida fresquinha.
- Mas eu disse que não estou com fome. Amanhã faço as compras.
- Está bem. Eu tentarei ser rápido e daqui a pouco estou aqui com a janta.
Nesse momento, enquanto nas ruas o tráfego era intenso, enquanto nos bares as pessoas se divertiam, enquanto na África indivíduos lutavam por comida, enquanto seres humanos imploravam por justiça em todo o mundo, enquanto Daniel Dantas era preso e solto e enquanto filhos e pais se comunicavam que Carlos indagou, pensou, e disse a si mesmo:
- Qual a serventia de uma orelha, ou melhor, de um par delas?
Segundos se passaram. A pergunta pairava no ar quando a filosofia tomou conta do garoto.
- Bom, no cursinho me lembro de algo relacionado a um martelo, uma bigorna e um estribo. Teria a orelha um lado agrário? Bom, se isso fosse verdade deveríamos conseguir nos comunicar com cavalos, vacas, etc.
Esse raciocínio não fez sentido ao filósofo. Tentou então lembrar-se de alguma outra orelha existente em sua vida.
- É claro. Quando meus amigos fazem alguma coisa idiota, dizemos que ele é um “orelha”. Sendo assim, orelha seria um sinônimo de idiotice e serviria apenas para designar alguém.
Se fosse uma redação teria zerado por fugir ao tema. A situação já era desanimadora quando Carlos finalmente pensou em algo sensato.
- Quando estava no maternal, a professora Marilda disse: “Nós ouvimos através da orelha”. Ouvir pode ser algo muito interessante, ajudando a compreender o que os outros querem dizer e tomar atitudes baseadas nisso.
Depois de três pensamentos muito complexos, Carlos pôde chegar a uma conclusão a respeito das orelhas dos seres humanos.
- Bom, acho que as orelhas servem para ouvir.
Porém, a conclusão lhe trouxe dúvidas.
- Mas, por que algumas pessoas que tem orelha parecem não ouvir?
Nesse momento, a epifanía de um jovem garoto, o ápice da filosofia ocidental, o clímax de uma vida pautada no Big Brother Brasil até então. No milésimo de segundo em que um homem amou seu semelhante, no instante em que George W. Bush deu um soco em Ronald McDonald, Carlos finalizou sua linha de raciocínio.
- Essas pessoas devem ter muita cera na orelha.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Música - Buena Vista Social Club
Buena Vista Social Club, localizado em Havana, Cuba, era um clube onde se realizavam atividades musicais na década de 40. Lá se encontravam músicos como Manuel “Puntilita” Licea, Compay Segundo, Rubén González, Ibrahim Ferrer, Pío Levya, Anga Díaz e Omara Portuondo, com novos integrantes sendo incorporados ao longo dos anos.
Aproximadamente 40 anos após o fechamento do clube, o músico cubano Juan de Marcos González e o guitarrista estadunidense Ry Cooder gravam novamente com os músicos tradicionais um disco chamado Buena Vista Social Club, que se torna sucesso internacional.
É nesse momento que o diretor alemão Wim Wenders filma a apresentação do grupo na Holanda e no Carnegie Hall, em Nova York, e transforma em documentário o que havia sido registrado, acompanhado de entrevistas feitas com os músicos em Havana. O filme, chamado Buena Vista Social Club, é aclamado pela crítica, ganhando o prêmio de Melhor Documentário no European Film Awards, além da indicação ao Oscar de Melhor Documentário.
Em 2006, as estrelas do Buena Vista Social Club gravam com artistas internacionais (U2, Coldplay, Sting, entre outros), o álbum Rhythms Del Mundo.
Infelizmente, alguns integrantes do grupo já se foram, como Compay Segundo, Rubén González e Ibrahim Ferrer, mas a música criada por eles continua viva. Omara Portuondo está ocupada, tendo gravado dois discos, um com Maria Bethania e outro solo. Juan de Marco González está sempre na ativa, trabalhando em produções musicais no México e formando uma nova edição do Afro Cuban All Stars. Elíades Ochoa, após turnê na Europa trabalha em um novo disco solo. Cachaito López, Guajiro Mirabal, Aguaje Ramos, Manuel Galbán, Amadito Valdés e Barbarito Torres estão em turnês de grande sucesso pelo mundo, como partes da Orquestra Buena Vista Social Club.
Abaixo, o trailer do documentário Buena Vista Social Club.
Assinar:
Postagens (Atom)
